Radar inédito mostra que doações online movimentaram US$ 46,3 milhões na América Latina e no Caribe em 2024 

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Conteúdo publicado original mente no blog da ABCR

Levantamento do Hub do GivingTuesday LAC analisou 3,5 milhões de transações processadas por oito plataformas; Brasil concentra a maior parte das doações da amostra

O Hub do GivingTuesday para a América Latina e o Caribe acaba de lançar a primeira edição do Radar de Doações Online, relatório que analisa o comportamento das doações digitais na região a partir de dados de 2024. O estudo reúne informações de 3.543.154 doações processadas por oito plataformas parceiras, que somaram US$ 46,3 milhões em recursos destinados a organizações e causas sociais.

A publicação foi desenvolvida em parceria com o GivingTuesday Data Commons e com as plataformas Abrace uma Causa, Afrus, Doare, GlobalGiving, HIPGive, Grifa, Neddie e Trackmob. Os dados foram anonimizados, agregados e analisados em escala regional, com informações sobre valor, volume, forma de pagamento, recorrência, país do doador, país de destino e, quando disponível, gênero da pessoa doadora. Os dados não representam todo o mercado de doações online da América Latina e do Caribe. Trata-se de uma amostra inédita, construída com base nas transações processadas pelas plataformas participantes.

Durante o evento de lançamento, João Paulo Vergueiro, diretor do Hub e autor do relatório, destacou que o objetivo da publicação é transformar dados em informação útil para o campo da generosidade na região. “Queremos convidar vocês a nos apoiar no trabalho de compartilhar esses números e inspirar mais pessoas a fazer o bem, doar mais, ter mais dados sobre generosidade na América Latina e no Caribe e usar esses números para fortalecer nosso ecossistema filantrópico e de generosidade”, afirmou.

R$ 10 foi o valor mais frequente de doação

Entre os principais achados, o relatório aponta que o valor médio das doações foi de US$ 13,07, enquanto a mediana ficou em US$ 6,48. Já o valor mais frequente foi de R$ 10, equivalente a US$ 1,85. A diferença entre média, mediana e valor mais comum ajuda a observar um padrão conhecido por muitas organizações: a captação digital é formada por um grande volume de doações de baixo valor, ao mesmo tempo em que contribuições mais altas elevam a média geral.

Ao longo de 2024, as transações se distribuíram de forma relativamente uniforme. Maio foi o mês com maior número de doações, com 331 mil transações. Agosto e setembro registraram os menores volumes, com cerca de 267 mil doações cada. Quando o recorte é feito pelo valor doado, dezembro se destaca: foram US$ 7,49 milhões, 70% a mais do que maio, segundo mês mais expressivo, com US$ 4,49 milhões.

Recorrência sustenta volume, mas doações únicas têm peso financeiro

As doações recorrentes representaram 82,2% das transações processadas pelas plataformas participantes. Em valor, elas corresponderam a 64,6% do total doado. As doações únicas, por sua vez, foram 17,8% das transações, mas responderam por 35,4% dos recursos movimentados.

O dado mostra o peso da recorrência para a previsibilidade financeira das organizações, mas também indica que as doações pontuais continuam relevantes para o resultado total da captação. Dezembro concentrou o maior percentual de doações únicas do ano, com US$ 4,91 milhões, o equivalente a 30% de todo o valor doado de forma não recorrente em 2024.

Débito automático, cartão e boleto lideram meios de pagamento

Três meios de pagamento responderam por quase 90% das transações: débito automático, cartão de crédito e boleto bancário. O débito automático aparece com 29,23% das doações, seguido pelo cartão de crédito, com 28,57%, e pelo boleto, com 27,14%.

Os meios de pagamento instantâneo ocupam a quarta posição. O PIX, no Brasil, e o PSE, na Colômbia, aparecem nesse grupo, com destaque para o PIX, que respondeu por 8,28% das transações analisadas. Outros métodos, como transferências bancárias, PayPal e carteiras digitais, tiveram participação menor.

Vergueiro observou que a predominância de poucos meios de pagamento revela a importância de ferramentas adaptadas aos hábitos financeiros da região. “Cada país tem sua própria estrutura, suas próprias características e cultura. Então, as ferramentas precisam falar a nossa língua para conseguir ter sucesso nos nossos países”, disse.

O Brasil tem peso decisivo no Radar. Seis das oito plataformas participantes atuam no país. Em 2024, 95% de todas as transações da amostra tiveram origem no Brasil, o que correspondeu a aproximadamente 85,6% do valor total doado.

No recorte brasileiro, o principal método de doação foi o débito automático, com 30,7% das transações. Em seguida aparecem o boleto, com 28,5%, e o cartão de crédito, com 26,9%. O PIX foi utilizado em 8,2% das doações. As doações recorrentes representaram 81,7% das transações no país, percentual muito próximo ao observado no conjunto regional.

Vergueiro explicou que o recorte brasileiro foi incluído a pedido das próprias plataformas, justamente pelo peso do país na amostra. Segundo ele, a análise mostrou uma diferença importante: o Brasil concentra a maior parte das transações, mas sua participação no valor total doado é menor. “Há uma proporção maior de doações fora do Brasil. A proporção que o Brasil representa nos US$ 46 milhões é menor do que a proporção que representa quando olhamos apenas para as transações”, afirmou.

Mulheres aparecem como maioria entre doadores identificados por gênero

O relatório também analisou o gênero das pessoas doadoras quando essa informação estava disponível. Cerca de 75% das transações tinham marcação de gênero. Entre elas, 67% das doações foram realizadas por mulheres e 33% por homens.

O dado não permite afirmar como se comporta todo o universo de doadores da região. Ainda assim, oferece uma pista relevante para organizações que buscam compreender melhor seus públicos e qualificar suas estratégias de relacionamento.

Dados para orientar a captação

Para organizações da sociedade civil e profissionais de captação de recursos, o Radar oferece referências para comparar resultados, revisar metas e qualificar estratégias de doação online. Os dados mostram a força da recorrência, a permanência de meios de pagamento tradicionais, a relevância de campanhas concentradas em datas específicas e o peso das pequenas doações no ecossistema digital.

O relatório também reforça a importância de ampliar a produção e o compartilhamento de dados sobre filantropia na América Latina e no Caribe. Ao reunir informações de plataformas que atuam em diferentes países, o Radar cria uma base inicial para que organizações, pesquisadores, plataformas, investidores sociais e comunicadores compreendam melhor o comportamento de doação na região.

Para acessar o relatório completo, clique aqui.

Conteúdo original no blog da ABCR